“Precisamos de alguém que trate do Instagram” é uma frase frequente quando uma clínica começa a comparar propostas.
O problema é que duas propostas com o mesmo nome podem estar a vender trabalhos muito diferentes.
Uma pode incluir essencialmente planeamento, design e publicação.
Outra pode acrescentar estratégia editorial, direção criativa, produção de conteúdo, acompanhamento de métricas, gestão de comunidade e articulação com campanhas.
Por isso, antes de perguntar quanto custa gerir as redes sociais de uma clínica, é preciso perceber o que está incluído nesse valor.
Quanto custa a gestão de redes sociais em Portugal?
Não existe uma tabela de preços específica para clínicas.
Como referência de mercado, os valores publicados por prestadores portugueses mostram uma dispersão significativa, desde algumas centenas de euros por mês em serviços mais simples até valores superiores a 1.000 € quando entram estratégia, produção, várias plataformas ou acompanhamento mais próximo.
Fotografia, vídeo, gestão de anúncios, investimento em media, resposta diária a mensagens ou um volume elevado de conteúdos podem alterar significativamente o orçamento.
A comparação começa, por isso, no âmbito.
O número de publicações diz pouco sobre o trabalho
Uma proposta de 350 € pode incluir oito publicações por mês.
Uma proposta de 900 € também.
O que muda é tudo o que acontece antes, durante e depois dessas oito peças.
Há diferença entre receber um calendário construído a partir de templates e temas genéricos e ter uma estratégia editorial que decide:
- que dúvidas vale a pena responder;
- que serviços ou especialidades devem ganhar visibilidade;
- que papel têm os profissionais na comunicação;
- como transformar conhecimento técnico ou clínico em conteúdo compreensível;
- que formatos fazem sentido para cada tema;
- e como ligar conteúdo, confiança e procura pela clínica.
O número de posts é fácil de comparar.
O pensamento por trás deles é menos visível, mas explica uma parte importante da diferença de preço.
Numa clínica, há ainda uma camada de responsabilidade
Uma clínica não comunica nas mesmas condições que uma loja, um restaurante ou uma marca de lifestyle.
Dependendo da área de atuação, existem regras profissionais, deontológicas e legais específicas sobre publicidade, alegações, testemunhos, resultados e utilização de informação clínica.
Isto influencia diretamente aquilo que pode ser publicado e a forma como é escrito.
Um conteúdo sobre diagnóstico, tratamento, resultados clínicos ou experiência de um paciente exige um cuidado diferente daquele que existe noutras categorias de negócio.
A gestão de redes sociais precisa, por isso, de combinar comunicação com rigor e validação por parte de quem tem responsabilidade clínica.
O preço baixo costuma retirar alguma coisa do processo
Um serviço mais barato não é necessariamente um mau serviço.
Pode simplesmente ter um âmbito menor.
Talvez a clínica entregue todas as fotografias.
Talvez não exista vídeo.
Talvez a estratégia já esteja definida.
Talvez seja gerida apenas uma plataforma.
Talvez não exista gestão de comunidade.
O problema aparece quando propostas com âmbitos completamente diferentes são comparadas apenas pelo preço mensal.
Um serviço centrado em execução pode ser suficiente para uma clínica que já tem identidade, mensagem, sistema editorial e capacidade interna para orientar o trabalho.
Para outra que ainda está a decidir como quer ser percebida, esse mesmo serviço pode produzir muita atividade sem resolver a base.
Antes das redes, convém perceber o que a clínica quer tornar reconhecível
Uma clínica pode publicar regularmente e continuar difícil de distinguir.
As fotografias mudam de estilo.
Cada profissional comunica de forma diferente.
Os temas dependem do que apareceu naquela semana.
Não existe uma relação clara entre aquilo que a clínica defende, os serviços que presta e o conteúdo que publica.
Nesse cenário, acrescentar mais publicações raramente resolve o problema.
É preciso primeiro definir alguns critérios:
O que queremos que alguém perceba sobre esta clínica depois de acompanhar o perfil durante um mês?
Que áreas queremos tornar mais reconhecíveis?
Que dúvidas surgem antes de uma marcação?
Que papel deve ter cada profissional na comunicação?
Que temas pertencem à marca e quais não pertencem?
A partir daí, produzir conteúdo torna-se mais simples e consistente.
Um sistema visual também reduz decisões repetidas
A mesma lógica aplica-se à identidade.
Se cada publicação começa do zero, todas as semanas voltam as mesmas perguntas:
Que tipo de fotografia usamos?
Que tamanho deve ter o título?
Podemos usar esta cor?
Como apresentamos um profissional?
Como diferenciamos conteúdo educativo de informação sobre um serviço?
Um sistema visual bem definido responde a essas perguntas antes de cada peça chegar à aprovação.
Não significa transformar o Instagram numa sequência de templates iguais.
Significa criar regras suficientes para que diferentes formatos continuem a pertencer à mesma marca.
Para clínicas com vários profissionais, esta base torna-se especialmente útil porque reduz a dependência de decisões individuais a cada publicação.
O que deve aparecer numa proposta
Antes de comparar preços, uma clínica deve conseguir perceber exatamente o que está incluído.
Uma proposta de gestão de redes sociais pode especificar:
- estratégia e planeamento editorial;
- plataformas incluídas;
- número e tipo de conteúdos;
- copywriting;
- design;
- captação de fotografia ou vídeo;
- edição de vídeo;
- processo de validação;
- publicação e agendamento;
- gestão de comentários e mensagens;
- reporting e análise;
- reuniões de acompanhamento;
- gestão de campanhas pagas.
Também deve ficar claro o que não está incluído.
O orçamento investido diretamente em Meta, Google ou outras plataformas deve ser separado do valor pago pela gestão do serviço.
Produção audiovisual pontual, sessões fotográficas ou deslocações podem igualmente ter orçamento próprio.
Só com esta separação é possível comparar propostas de forma justa.
Então, quanto deve uma clínica investir?
Não existe um valor certo para todas.
Uma clínica pequena, com uma única localização, conteúdo já disponível e necessidades sobretudo operacionais pode precisar de uma estrutura relativamente simples.
Uma clínica com vários profissionais, diferentes especialidades, produção de vídeo, campanhas de aquisição e necessidade de construir uma marca mais consistente está a comprar um trabalho bastante diferente.
A pergunta útil deixa de ser apenas:
“Quanto custa gerir o Instagram?”
E passa a ser:
“Que trabalho precisamos que seja feito para que as redes cumpram um papel real na marca e no negócio?”
É essa resposta que permite perceber se uma proposta de algumas centenas de euros é suficiente ou se a clínica precisa de uma estrutura mais completa.
Na Sixfold, olhamos para redes sociais como uma parte de um sistema maior. Para negócios de saúde e bem-estar, a gestão de marketing para clínicas pode envolver marca, conteúdo, experiência digital e aquisição, consoante o problema que precisa de ser resolvido.
Há também exemplos dessa relação entre identidade, digital e procura nos casos da Sixfold.