Traduzir um website para inglês não torna uma empresa de engenharia internacionalmente reconhecível.
Para competir fora de Portugal, é preciso que um potencial cliente consiga perceber rapidamente que problema técnico a empresa domina, em que contexto opera e porque faz sentido envolvê-la naquele desafio.
É aqui que o posicionamento começa.
Muitas empresas portuguesas chegam aos mercados externos com capacidade produtiva, certificações e equipas experientes. O problema é que continuam a comunicar através de listas de serviços, anos de experiência e afirmações como qualidade, compromisso ou soluções à medida.
Tudo isso pode ser verdade. Mas pouco ajuda um comprador internacional a perceber porque deve escolher aquela empresa e não outra.
Quando a ENGIBIM apresentou o seu novo website, por exemplo, enquadrou o lançamento como um reforço do seu posicionamento digital, como explica no anúncio publicado pela própria empresa.
A questão importante não é apenas ter um website mais atual. É perceber o que esse website passa a tornar mais claro para quem ainda não conhece a empresa.
Credibilidade técnica não se declara
Uma empresa de engenharia não precisa de afirmar que consegue fazer tudo.
Precisa de tornar visível onde é particularmente difícil substituí-la.
A diferença pode estar na capacidade de desenvolver equipamento à medida para uma fase crítica de produção. No domínio de uma norma específica. Na integração entre sistemas complexos. No acompanhamento técnico depois da instalação.
O comprador não procura apenas uma lista extensa de capacidades.
Procura sinais de que aquela empresa compreende o seu tipo de operação antes mesmo da primeira reunião.
Quando a comunicação não faz esta distinção, a conversa comercial começa demasiado cedo em preço, prazo e comparação entre fornecedores.
O posicionamento deve mudar essa ordem.
Primeiro, o potencial cliente reconhece uma empresa que compreende o problema. Depois, avalia a solução, a capacidade de execução e as condições comerciais.
A mensagem tem de sobreviver à distância
Em Portugal, uma empresa pode beneficiar de reputação local, relações construídas ao longo dos anos e recomendações informais.
Num novo mercado, grande parte desse contexto desaparece.
O website, a apresentação comercial e os primeiros contactos precisam de transportar mais informação sobre aquilo que distingue a empresa e sobre os contextos em que essa diferença importa.
Isso obriga a escolher.
Uma empresa que trabalha para vários setores não precisa de comunicar de forma indistinta para todos.
Pode organizar a mensagem em torno dos ambientes onde a sua experiência produz consequências concretas: processos com elevada exigência de segurança, instalações onde uma paragem tem custos elevados, projetos com integração entre várias especialidades ou operações sujeitas a requisitos rigorosos de rastreabilidade.
Capacidade técnica ganha força quando está ligada a uma consequência de negócio.
“Desenvolvemos soluções à medida” diz pouco.
Explicar que a equipa reduz incerteza na integração de uma linha, antecipa constrangimentos de manutenção ou assume responsabilidade técnica entre diferentes fornecedores dá ao comprador uma razão concreta para continuar a conversa.
O website tem de organizar a decisão
A componente visual importa, mas não resolve este problema sozinha.
Um website sofisticado com mensagens vagas continua a obrigar o visitante a descobrir, por conta própria, porque aquela empresa é relevante.
O papel do design é dar ordem à informação, criar hierarquia e tornar a especialização fácil de reconhecer.
Isso significa decidir antes do desenho:
Que problema queremos que a empresa fique associada a resolver?
Que setores ou contextos merecem maior destaque?
Que provas reduzem risco para quem ainda não conhece a marca?
Que informação precisa um decisor comercial e que profundidade procura alguém da equipa técnica?
Só depois destas decisões faz sentido definir páginas, percursos e interface.
É por isso que, nos projetos da Sixfold, marca, conteúdo e arquitetura de informação são decisões que antecedem a camada visual. Alguns exemplos desse trabalho podem ser vistos em Projetos Sixfold.
Foco não significa fazer menos
Uma das objeções mais comuns ao posicionamento é o receio de afastar oportunidades.
Se dissermos que somos particularmente bons nisto, será que alguém que precisa de outra coisa deixa de contactar?
Pode acontecer. E nem sempre é um problema.
O objetivo do posicionamento não é enumerar tudo aquilo que uma empresa consegue executar. É criar uma razão clara para ser lembrada e considerada.
Um comprador não interpreta necessariamente especialização como incapacidade.
Interpreta-a como uma pista sobre quando aquela empresa deve ser chamada para a conversa.
Uma proposta de valor forte também tem outra vantagem: pode ser repetida.
A direção comercial consegue explicá-la. A equipa técnica reconhece-a como verdadeira. Um cliente consegue transmiti-la internamente sem a transformar numa frase completamente diferente.
Quando cada pessoa descreve a empresa de uma maneira, a marca perde força antes de chegar à mesa de decisão.
Internacionalizar não é traduzir
Quando surgir uma oportunidade noutro mercado, a primeira pergunta não deve ser apenas se o website está disponível em inglês.
Deve ser outra:
Um decisor que nunca ouviu falar desta empresa consegue perceber, em poucos minutos, porque ela é uma escolha credível para o problema que tem?
Se a resposta ainda exigir uma reunião para ser explicada, o trabalho de posicionamento não terminou.
A internacionalização pode começar pela capacidade técnica.
Mas é a clareza com que essa capacidade é apresentada que permite ao mercado reconhecê-la.