“Onde vejo o programa completo?”

É uma das primeiras perguntas que alguém pode fazer ao chegar ao website de um festival. Quando a resposta exige passar por várias páginas, interpretar categorias vagas ou perceber uma estrutura que só faz sentido para quem organizou o evento, o problema não é falta de informação.

É navegação.

A navegação de um site de festival cultural deve acompanhar as decisões do visitante, não a estrutura interna da organização.

Programa, datas, bilhetes, local e informação prática precisam de ser fáceis de encontrar. O restante conteúdo pode ter profundidade, mas estas áreas não devem obrigar alguém a explorar o site para descobrir onde começar.

Um visitante não chega ao website para compreender como o festival está organizado. Chega com uma intenção concreta.

Começar pelas perguntas que antecedem a compra

Antes de desenhar o menu, vale a pena perceber o que as pessoas estão realmente a tentar descobrir.

As perguntas recebidas por email, redes sociais, bilheteira ou equipas de atendimento são uma boa fonte:

Quem atua no sábado?

Onde acontece?

Posso levar crianças?

O passe inclui todas as sessões?

O espaço é acessível?

Estas dúvidas não são apenas questões de comunicação. Também revelam necessidades de navegação.

A estrutura começa a funcionar quando cada pergunta frequente tem uma área previsível onde pode ser respondida, sem depender de informação escondida no rodapé ou de vários cliques até chegar à página certa.

Programa e calendário respondem a perguntas diferentes

Programa e calendário parecem semelhantes, mas ajudam a tomar decisões diferentes.

O programa organiza aquilo que vai acontecer: artistas, filmes, debates, exposições ou atividades.

O calendário ajuda a perceber quando e onde cada momento acontece.

Uma pessoa pode querer conhecer primeiro os nomes confirmados e só depois escolher o dia. Outra já sabe que apenas pode ir no domingo e quer ver tudo o que acontece nessa data.

Obrigar ambas a utilizar a mesma grelha cria mais esforço do que clareza.

A estrutura está bem resolvida quando uma sessão pode ser encontrada a partir do conteúdo e também da data, sem existirem versões contraditórias da mesma informação.

Dar nomes às coisas ajuda mais do que parece

Há áreas do website onde a criatividade no naming acrescenta pouco.

Programa, Bilhetes, Datas e locais, Informação prática e Sobre o festival são rótulos previsíveis. E, neste contexto, previsibilidade é uma vantagem.

“Viver”, “Universo”, “Descobrir” ou “A viagem” podem funcionar numa campanha ou conceito criativo. Num menu, podem obrigar alguém a adivinhar onde está o horário de uma exposição.

A documentação sobre navegação intuitiva em websites de eventos reforça precisamente a importância de organizar e nomear áreas de acordo com aquilo que os participantes procuram.

Uma forma simples de testar a estrutura é mostrar apenas os nomes do menu a alguém que não participou no projeto.

Essa pessoa consegue antecipar o que vai encontrar em cada área antes de clicar?

Se não consegue, o nome provavelmente está a trabalhar mais para a marca do que para o utilizador.

Cada página pode ser a primeira página

Nem toda a gente entra num festival pela homepage.

Uma página de concerto pode chegar através de uma pesquisa no Google. Uma exposição pode ser partilhada por um artista. Uma atividade pode circular diretamente nas redes sociais.

Isso significa que cada página relevante precisa de funcionar como uma porta de entrada.

Uma página de programa deve permitir encontrar facilmente informação como:

data e hora

local

preço ou condições de acesso

duração

acessibilidade

ligação para bilhete ou inscrição

Quem chega diretamente a essa página não deve precisar de regressar à homepage para perceber o que fazer a seguir.

O menu não é o organigrama do festival

À medida que um projeto cresce, começam a aparecer pedidos legítimos de várias equipas.

Programação. Produção. Parceiros. Imprensa. Voluntariado. Projetos educativos. Patrocinadores. Arquivo.

Vistos individualmente, todos podem justificar uma área própria.

O problema aparece quando a navegação principal passa a refletir a organização interna em vez das prioridades de quem visita o website.

O menu não é um organigrama.

Parceiros, imprensa, voluntariado ou edições anteriores podem ser conteúdos importantes sem terem necessariamente o mesmo peso de Programa ou Bilhetes.

A hierarquia deve acompanhar a procura real e o momento da decisão.

O caso Vortex mostra um projeto em que arquitetura de informação, programação e diferentes experiências precisam de funcionar dentro do mesmo ecossistema digital.

Quanto mais conteúdo existe, mais importante se torna decidir o que deve estar imediatamente disponível e o que pode viver num nível seguinte.

A estrutura precisa de aguentar o festival real

Há ainda um problema frequente: aprovar o menu demasiado cedo.

Quando a navegação é fechada antes de existirem horários, regras de bilheteira, exceções e conteúdos reais, quase tudo parece caber.

Depois chega o programa definitivo.

Aparecem atividades com regras diferentes, alterações de última hora, sessões em vários locais, conteúdos que pertencem a mais do que uma categoria e informação prática que precisa de aparecer em vários pontos.

É nessa altura que surgem submenus improvisados, páginas duplicadas e informação contraditória.

Uma boa arquitetura de informação não deve funcionar apenas na apresentação do projeto. Tem de aguentar o evento quando ele fica complexo.

Por isso, antes de fechar a navegação, vale a pena testá-la com o programa real.

Escolher várias situações diferentes e tentar completar tarefas simples:

Encontrar um espetáculo num determinado dia.

Perceber quanto custa assistir.

Confirmar o local.

Ver condições de acessibilidade.

Comprar um bilhete.

Se alguma destas ações obrigar a conhecer previamente a lógica interna do festival, ainda há trabalho a fazer.

Um bom menu quase não se nota

Uma navegação eficaz não precisa de surpreender.

Precisa de permitir que alguém encontre rapidamente aquilo que veio procurar e continue a explorar quando quiser saber mais.

Num festival, isso significa colocar as decisões essenciais primeiro e deixar a identidade da marca viver onde realmente acrescenta valor.

O visitante não deve ter de aprender o website antes de conseguir usar o festival.