Este é o guia que seguimos no primeiro mês de qualquer projeto, antes de desenharmos um único ecrã. Publicamo-lo por uma razão prática: grande parte do valor de um check-up está em saber onde olhar. Se depois de o fazeres decidires resolver tudo internamente, o guia já cumpriu a sua função.
Leva uma tarde. Precisas do teu site, do teu telemóvel, de uma folha e, idealmente, de acesso ao Google Search Console. Se ainda não tens o Search Console configurado, começa por aí: é gratuito e permite perceber como o Google encontra, indexa e apresenta as páginas do teu site.
Uma nota antes de começar: um check-up não é uma lista de erros. Uma ferramenta consegue gerar dezenas de avisos técnicos em poucos minutos. Isso não significa que todos tenham o mesmo impacto. O objetivo é ligar cada problema a uma consequência concreta e perceber o que merece ser resolvido primeiro. É a diferença entre saber que tens quarenta avisos e perceber quais deles estão realmente a dificultar visitas, contactos ou decisões.
Passo 1 · Velocidade, medida onde importa
Abre o PageSpeed Insights e testa o teu site. Começa pelo relatório de telemóvel, porque é aí que a experiência tende a ficar mais exposta a ligações lentas, ecrãs pequenos e menor margem para fricção.
Entre os indicadores apresentados, há três Core Web Vitals que vale a pena perceber. O LCP mede quanto tempo demora a aparecer o maior elemento visível da página, normalmente uma imagem ou bloco principal, e é considerado bom até 2,5 segundos. O CLS mede a estabilidade visual enquanto a página carrega e deve ficar até 0,1. O INP mede a rapidez com que a página responde às interações e é considerado bom até 200 milissegundos.
Não fiques preso à pontuação global. É útil como referência, mas o mais importante é perceber o que está efetivamente a atrasar ou degradar a experiência.
Depois faz o teste que nenhuma ferramenta substitui: abre o site no teu telemóvel, desliga o Wi-Fi e navega com dados móveis. Se conseguires, testa-o também num local onde a ligação não seja perfeita. É uma aproximação muito mais realista às condições em que parte das pessoas vai encontrar a tua empresa pela primeira vez.
O que anotar: os Core Web Vitals em telemóvel e as duas ou três recomendações com maior impacto. Imagens demasiado pesadas, scripts de terceiros e código acumulado de ferramentas ou campanhas antigas aparecem muitas vezes entre os problemas.
Passo 2 · Faz o percurso completo no telemóvel
Este passo faz-se com o telemóvel na mão e não vale delegar. Entra no site como se nunca tivesses ouvido falar da empresa e tenta chegar da primeira página até ao pedido de contacto.
Repara no que acontece pelo caminho. Consegues ler sem ampliar? Os botões são fáceis de tocar? O menu abre e fecha sem esforço? O formulário continua utilizável quando o teclado ocupa metade do ecrã? Se pedes muitos campos antes de um primeiro contacto, pergunta-te quais deles precisas realmente para conseguir responder.
Depois repete o percurso no telemóvel de outra pessoa, de preferência alguém que não trabalhe contigo nem conheça bem a empresa. Não expliques. Observa onde hesita, volta atrás ou pergunta o que deve fazer. Essas hesitações costumam ser mais úteis do que uma opinião genérica sobre o design.
O que anotar: cada momento em que foi necessário parar para perceber o próximo passo. Uma hesitação não significa automaticamente que exista um problema, mas é um bom sítio para começar a investigar.
Passo 3 · Percebe se te encontram
Abre o Google Search Console e começa por perceber que páginas estão indexadas, quais não estão e que razões aparecem para essa exclusão.
Depois faz algumas pesquisas simples no Google. Pesquisa o nome da empresa e vê que resultados ocupam as primeiras posições. Pesquisa também um dos serviços mais importantes juntamente com a localização relevante para o negócio e observa quem aparece, que páginas são apresentadas e como estão construídos os títulos.
Não transformes este exercício numa obsessão com uma posição isolada. O objetivo é perceber se existem páginas adequadas às pesquisas que interessam ao negócio e se o Google consegue perceber claramente aquilo que cada uma representa.
Olha também para os títulos apresentados nos resultados. Se várias páginas usam praticamente o mesmo título ou se tudo se resume ao nome da empresa, estás a desperdiçar um dos espaços mais importantes para explicar rapidamente o conteúdo de cada página.
O que anotar: problemas de indexação que mereçam atenção, pesquisas relevantes onde a presença é fraca e páginas de serviço ou conteúdo que possam estar a faltar.
Passo 4 · Testa se os contactos chegam realmente a alguém
Este passo encontra um dos problemas mais caros e mais silenciosos de um website.
Submete o teu próprio formulário com um email a que tenhas acesso. Confirma que a submissão funciona, que existe uma mensagem de confirmação e que a pessoa ou equipa responsável recebe realmente o pedido. Se tens vários formulários no site, testa-os todos.
Depois verifica o resto do percurso. O número de telefone pode ser tocado diretamente num telemóvel? O endereço de email publicado é consultado regularmente? Se tens WhatsApp no site, a conversa abre corretamente e vai parar à pessoa certa?
Parece básico, mas é precisamente por isso que estes erros conseguem permanecer tanto tempo sem serem detetados. Toda a estratégia pode estar a funcionar até ao momento em que alguém tenta contactar.
O que anotar: que canais funcionaram, quais falharam e onde existe incerteza sobre aquilo que acontece depois do contacto.
Se algum dos canais principais estiver partido, resolve primeiro esse problema. Não há posicionamento, campanha ou redesign que compense um contacto que nunca chega.
Passo 5 · Percebe se te entendem em dez segundos
Abre a homepage e mostra-a durante dez segundos a alguém que esteja fora da tua empresa. Depois pergunta-lhe o que acha que a empresa faz, para quem e porque é que alguém a escolheria em vez de outra alternativa.
Não transformes as respostas num estudo científico. Duas ou três pessoas não representam o mercado. Mas podem revelar sinais que quem trabalha todos os dias dentro da empresa já deixou de conseguir ver.
Se percebem o que fazes e para quem, mas não conseguem explicar porque te escolheriam, o website pode estar a descrever a categoria sem tornar clara a diferença. Se nem sequer percebem o que fazes, o problema é anterior à escolha visual de um botão ou de uma fotografia.
O que anotar: as respostas usando as palavras das próprias pessoas. Não as corrijas nem as traduzas imediatamente para a linguagem interna da empresa.
Passo 6 · Ordena por impacto, não por facilidade
Nesta fase já tens uma lista. A tentação é começar pelas alterações mais rápidas, porque dão uma sensação imediata de progresso. Nem sempre é a melhor ordem.
Começa pelo que impede alguém de avançar, como formulários ou canais de contacto que não funcionam. Depois trata fricções importantes de velocidade e utilização, sobretudo em mobile. A seguir, olha para problemas de descoberta e indexação. Por fim, entra nas questões mais estruturais de mensagem, posicionamento e arquitetura, que normalmente exigem mais tempo e decisões de negócio.
Esta ordem não significa que a mensagem seja menos importante. Muitas vezes é precisamente o problema mais valioso para resolver. Significa apenas que não faz sentido investir semanas numa nova proposta de valor enquanto o formulário continua sem entregar pedidos.
O que fazer com a lista
Se encontraste poucos problemas concretos, resolve-os por ordem de impacto e volta a fazer o check-up daqui a alguns meses. Não precisas necessariamente de contratar ninguém.
Se a lista é extensa e os problemas aparecem em várias áreas ao mesmo tempo, talvez já não estejas perante uma soma de pequenas correções. Pode ser um sinal de que a presença digital deixou de acompanhar aquilo em que a empresa se tornou, e vale a pena decidir isso antes de continuar a remendar página a página.
E se grande parte dos problemas está na mensagem, pensa duas vezes antes de aumentar o investimento em campanhas. Levar mais pessoas para uma presença que ainda não explica com clareza o que fazes, para quem e porque faz sentido escolher-te pode aumentar o tráfego sem resolver a procura.
O objetivo do check-up não é encontrar o maior número possível de problemas. É descobrir qual é a próxima decisão que pode melhorar realmente a tua presença digital.
Queres aprofundar o diagnóstico?
Se preferires uma análise estruturada da tua presença digital, podes fazer o Diagnóstico Estratégico Digital da Sixfold. No final, ficas com uma leitura dos principais pontos a rever e das prioridades a trabalhar.