Quando uma empresa me diz que o marketing não está a trazer clientes, há duas respostas que aparecem depressa.
Ou é preciso mais tráfego e a solução passa por investir mais em anúncios.
Ou é preciso converter melhor e a solução é refazer a página, encurtar o formulário ou testar outro CTA.
Às vezes o problema está mesmo aí.
Mas há um terceiro diagnóstico que aparece muitas vezes nas empresas com quem falo:
quem chega percebe o que a empresa faz, mas não percebe porque a devia escolher.
E, quando esse é o problema, comprar mais tráfego só faz com que mais pessoas cheguem à mesma dúvida.
Tráfego, conversão ou escolha?
Vale a pena separar os três porque pedem respostas diferentes.
Um problema de tráfego existe quando poucas pessoas certas chegam sequer a conhecer a empresa.
O website tem poucas visitas relevantes, a marca quase não aparece quando alguém procura o serviço e os contactos continuam a depender sobretudo de recomendação ou de relações anteriores.
Aqui, aumentar descoberta pode fazer sentido.
Um problema de conversão aparece quando existe procura e interesse, mas alguma coisa no percurso dificulta a ação.
Uma página lenta.
Um formulário demasiado longo.
Um contacto difícil de encontrar.
Uma experiência mobile fraca.
Uma informação importante que só aparece depois de vários passos.
Nestes casos, melhorar a experiência pode recuperar procura que já existe.
Um problema de escolha é diferente.
As pessoas certas chegam. Percebem o serviço. Conseguem avançar.
Mas não encontram uma razão suficientemente clara para preferir aquela empresa à seguinte.
O website pode funcionar tecnicamente bem.
A mensagem é que soa demasiado parecida com todas as outras.
Como reconhecer um problema de escolha
Há alguns sinais que costumo procurar.
Um deles aparece quando grande parte das conversas começa pelo preço.
Isso não significa automaticamente que o cliente seja demasiado sensível ao custo.
Pode significar que o preço é simplesmente a diferença mais fácil de comparar.
Se duas empresas parecem oferecer essencialmente a mesma coisa, o número ganha um peso que talvez não tivesse se a diferença fosse mais clara.
Outro sinal é quando as campanhas funcionam sobretudo com promoções.
Se retirar o desconto faz desaparecer quase todo o interesse, vale a pena perguntar se a campanha está a criar preferência pela empresa ou apenas a tornar o preço mais competitivo naquele momento.
Há também um sinal muito mais útil, que costuma aparecer depois da venda.
Pergunta aos clientes porque escolheram a empresa.
Muitas vezes surgem respostas como:
“Explicaram-nos o processo.”
“Foram ao local antes de apresentar a proposta.”
“Percebemos exatamente quem ia acompanhar o projeto.”
“Responderam muito mais depressa.”
São razões reais para escolher.
E, muitas vezes, não aparecem no website, nos anúncios nem nas propostas.
A empresa já tem diferenciação.
Só ainda não a tornou visível.
Mais anúncios não corrigem uma mensagem indiferenciada
Se a mensagem não cria preferência, aumentar tráfego significa pagar para colocar essa mesma mensagem à frente de mais pessoas.
Algumas podem converter.
Mas a campanha fica a carregar um problema que não consegue resolver sozinha.
Quem chega compara a proposta, não encontra diferença suficiente e continua a procurar.
O custo por contacto sobe.
A conclusão passa a ser que o canal não funciona.
E começa-se a testar uma nova campanha, outro público ou mais uma landing page.
Só que nenhum deles responde à pergunta que ficou por resolver:
Porque é que alguém havia de escolher esta empresa?
O mesmo acontece quando se tenta resolver tudo com otimização de conversão.
Encurtar um formulário pode ajudar quem já decidiu avançar.
Não cria, por si só, uma razão para decidir.
O teste das dez conversas
Antes de investir mais em tráfego ou redesenhar uma página, há um exercício simples que costuma revelar bastante.
Escolhe cinco clientes recentes que gostarias de voltar a ter.
Pergunta-lhes:
Porque nos escolheram?
Que outras opções estavam a considerar?
O que vos deu confiança para avançar?
Não sugiras respostas.
Anota as palavras que usam.
Depois escolhe cinco oportunidades que chegaram a proposta e não avançaram.
Pergunta, sempre que a relação o permitir:
O que pesou na decisão?
O que encontraram na alternativa que escolheram?
Houve alguma coisa na nossa proposta que não ficou clara?
Agora abre o website, os anúncios e uma proposta comercial ao lado dessas respostas.
As razões que os melhores clientes deram estão visíveis?
Aquilo que os fez confiar aparece antes da reunião?
As diferenças que existem na experiência estão explicadas?
Se não estão, há matéria para trabalhar antes de comprar mais atenção.
Posicionamento também se mede depois do clique
Isto não significa que tráfego e conversão deixem de importar.
Significa que os três problemas estão ligados.
Uma marca precisa de ser encontrada.
A experiência precisa de permitir avançar.
E a proposta precisa de dar uma razão para ser escolhida.
Quando estas três coisas trabalham juntas, a performance começa a ser mais fácil de interpretar.
Num projeto da Sixfold para a Magnus Imagens Médicas, construímos páginas de conversão específicas antes de lançar as campanhas, organizadas para responder às dúvidas de quem estava a escolher onde realizar cada exame.
Entre 16 de julho e 26 de agosto de 2026, a campanha gerou 254 pedidos de marcação, com 3,06 € por pedido e uma taxa de conversão de 18,2%. O objetivo inicial era 5%.
O investimento em media nesse período foi de 777,82 €.
Os números não provam que posicionamento resolve sozinho uma campanha.
Mostram outra coisa: o tráfego funciona melhor quando aquilo que a pessoa encontra depois do clique ajuda realmente a tomar uma decisão.
Primeiro a razão. Depois a amplificação.
É por isso que prefiro resolver a ordem desta forma:
Primeiro, perceber porque é que alguém deve escolher a empresa.
Depois, garantir que essa razão aparece no website, nas campanhas e nas propostas.
Só então aumentar a quantidade de pessoas expostas à mensagem.
Caso contrário, é fácil gastar mais para tornar um problema mais visível.
Antes de concluir que faltam anúncios, tráfego ou uma nova landing page, vale a pena fazer uma pergunta mais incómoda:
Quem já chega percebe porque te havia de escolher a ti?
Há mais exemplos desta ligação entre posicionamento, experiência e aquisição em casos.