“Só precisamos de um site simples” é uma frase que ouço muitas vezes.
Depois aparecem as páginas, os serviços, as dúvidas comerciais, os conteúdos em falta, as integrações e tudo aquilo que o site precisa realmente de fazer pelo negócio.
É por isso que, quando me perguntam quanto custa um site profissional, a resposta não começa pelo número de páginas. Começa pelo problema que o website tem de resolver.
Uma landing page, um website institucional, uma loja online e uma plataforma com integrações não podem ter o mesmo preço de referência. As próprias estimativas publicadas para o mercado português mostram diferenças grandes consoante o tipo de projeto, o grau de personalização e aquilo que está incluído, como se percebe nesta comparação de preços por tipo de site da Alizée Web.
Mas há outra diferença que uma tabela de preços não consegue mostrar: dois websites aparentemente semelhantes podem exigir níveis completamente diferentes de estratégia, UX, conteúdo e desenvolvimento.
E é aí que o preço começa realmente a mudar.
O momento em que deixei de vender páginas
Durante algum tempo, encarei o orçamento de um website como uma soma de entregáveis.
Quantas páginas? Design? Desenvolvimento? Publicação?
O cliente perguntava quantas páginas teria e eu respondia com uma estimativa. Parecia uma forma objetiva de trabalhar, mas criava um problema logo à partida: a estrutura começava a obedecer ao orçamento em vez de obedecer à decisão que o negócio precisava de facilitar.
Um site de seis páginas pode ser excessivo para uma empresa com uma proposta clara e um processo comercial simples.
Pode ser insuficiente para outra que venda serviços distintos, dependa de confiança técnica ou precise de explicar uma oferta que o mercado ainda confunde.
Com o tempo, comecei também a reconhecer o mesmo padrão nos projetos em que o orçamento obrigava a cortar demasiado cedo.
O design arrancava antes de se decidir a hierarquia da oferta. Os textos chegavam perto do fim. A homepage acumulava tudo o que a empresa queria dizer. E, quando o site ficava pronto, ninguém sabia ao certo que página devia receber o tráfego de uma campanha ou responder a uma pesquisa específica.
Um website barato pode acabar por sair caro quando obriga a refazer mensagens, páginas de serviço e fluxos de contacto poucos meses depois.
O que estás realmente a pagar num website
O número de páginas é uma parte pequena da equação.
Antes de desenhar, é preciso perceber quem chega ao site, o que procura, que dúvidas precisa de resolver e que informação ajuda a avançar.
Isso influencia a arquitetura de informação, a hierarquia dos conteúdos, os percursos entre páginas e os pontos de contacto.
Depois entra a experiência.
O website funciona igualmente bem num telemóvel? É evidente onde clicar? Uma pessoa percebe rapidamente o que a empresa faz? Consegue distinguir serviços semelhantes? Encontra a prova necessária para confiar?
E entra também a copy.
Muitas empresas chegam com apresentações comerciais, listas de serviços e frases que funcionam numa reunião interna. Um visitante não lê um website da mesma maneira.
Precisa de perceber rapidamente o que a empresa faz, para quem, porque deve considerar aquela opção e qual é o próximo passo.
Tudo isto acontece antes de falarmos de desenvolvimento, integrações, CMS, animações, várias línguas, e-commerce ou funcionalidades específicas.
Por isso, dois websites com o mesmo número de páginas podem representar projetos completamente diferentes.
Orgânico e pago encontram-se no site
O tráfego orgânico e o tráfego pago cumprem funções diferentes, mas acabam muitas vezes no mesmo lugar.
O site.
No orgânico, uma boa estrutura de páginas, conteúdo útil e sinais claros sobre aquilo que a empresa faz ajudam os motores de pesquisa a compreender o negócio e criam mais oportunidades de descoberta ao longo do tempo.
No paid, compramos distribuição e atenção mais depressa. Mas o anúncio não consegue resolver aquilo que acontece depois do clique.
Se promete uma coisa e a página responde com uma mensagem vaga, uma oferta difícil de perceber ou um formulário desnecessariamente complexo, a campanha começa a pagar por visitas que o próprio site desperdiça.
É fácil concluir que o anúncio não funciona quando, na realidade, a quebra está no destino.
É por isso que não vejo um website como uma peça isolada do restante marketing. Precisa de conseguir suportar a procura que o negócio já tem e aquela que quer construir.
Nos casos da Sixfold, esta relação entre marca, experiência digital e negócio aparece precisamente porque o website não é tratado apenas como uma montra.
Então, porque variam tanto os preços?
Porque o resultado visível pode parecer semelhante, mas o trabalho que existe antes dele não é.
Um website pode partir de um template e de conteúdos já preparados. Outro pode exigir reposicionamento da oferta, nova arquitetura, copy, UX/UI de raiz, desenvolvimento personalizado e integração com ferramentas comerciais.
Um pode existir apenas para confirmar que a empresa existe.
Outro precisa de explicar serviços complexos, apoiar campanhas, captar oportunidades, responder a pesquisas e dar à equipa comercial um destino para onde encaminhar potenciais clientes.
Também há projetos em que o maior trabalho nem sequer está no design.
Está em decidir o que dizer, o que retirar, como organizar a oferta e que percurso faz sentido para alguém que ainda não conhece suficientemente bem a empresa.
É por isso que comparar propostas apenas pelo número de páginas ou pelo valor final diz muito pouco.
A comparação útil começa por perceber o que está incluído e que problema cada proposta está realmente preparada para resolver.
A pergunta que faria antes de perguntar pelo preço
Não seria “quantas páginas vou receber?”.
Seria:
O que é que este website precisa de passar a fazer pelo negócio que hoje não faz?
Pode ser explicar melhor uma oferta.
Pode ser transmitir uma perceção mais próxima da qualidade real da empresa.
Pode ser dar melhores destinos às campanhas.
Pode ser começar a captar procura através de pesquisa.
Pode ser simplesmente deixar de obrigar a equipa comercial a explicar, em todas as reuniões, aquilo que o site devia ter tornado claro antes.
A resposta muda o projeto. E, inevitavelmente, muda o investimento.
Prefiro recusar um projeto que só admite execução rápida e barata a entregar um website que deixa o cliente exatamente com os mesmos problemas, apenas com um design novo.
Porque o objetivo não é comprar páginas.
É construir uma presença digital que consiga fazer mais trabalho pelo negócio.