Estudo · setembro de 2026
Escreve "marcar consulta" na Google Play portuguesa. O terceiro resultado é o WhatsApp.
Passámos uma tarde a olhar para as lojas de aplicações em Portugal. Não há aqui um único número que venha de acesso privilegiado, nem uma imagem que tenhamos desenhado. São capturas de ecrã do que qualquer pessoa vê, e é exatamente esse o ponto.
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De onde vêm os números
Recolhido a 18 de setembro de 2026, na loja portuguesa.
As fichas foram lidas em apps.apple.com e play.google.com, em português de Portugal, e as imagens desta página são capturas dessas mesmas páginas, sem edição para além do recorte. As posições de pesquisa na App Store vêm da API pública de pesquisa da Apple, com o país definido como Portugal. As posições de categoria são as que a própria loja publica em cada ficha. Onde houver dúvida sobre a origem de um valor, a dúvida está escrita no fim desta página.
A pesquisa que ninguém está a ganhar
Não é um problema da saúde. É de toda a gente.
Escolhe uma palavra e vê o que a App Store portuguesa devolve a quem a escreve. São seis pesquisas com intenção clara, de seis setores diferentes, e o padrão repete-se em todas: quem ocupa os primeiros lugares raramente é quem presta o serviço em Portugal.
App Store PT · 18 set 2026 · as linhas a escuro são apps de empresas portuguesas
Uma palavra livre
"Hospital" pertence, em Portugal, a jogos de gerir hospitais.
Nenhum grupo de saúde português aparece nos primeiros resultados, em nenhuma das duas lojas. Não é uma palavra disputada onde é preciso ganhar terreno a alguém. É uma palavra vazia, à espera de quem a queira.
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Duas apps, o mesmo mercado
Uma tem o triplo das avaliações. E está uma posição abaixo.
O My CUF e o MY LUZ fazem quase exatamente a mesma coisa para os dois maiores grupos privados de saúde do país. Um deles está melhor posicionado na categoria com um terço das avaliações do outro. Reputação e visibilidade são coisas diferentes, e são decididas em sítios diferentes.
My CUF · App Store
MY LUZ · App Store
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Posição de categoria lida na ficha de cada app a 18 de setembro de 2026. A posição responde sobretudo a transferências recentes, não a avaliações acumuladas, e é por isso que as duas colunas não andam juntas.
Trinta caracteres
O campo mais valioso da ficha do My CUF está vazio.
Por baixo do nome de uma app, a App Store mostra um subtítulo. São trinta caracteres, a Apple indexa-os para pesquisa, e valem tanto como o próprio título. Quando esse campo fica por preencher, a loja escreve lá a categoria. É o que está a acontecer.
Campo vazio
Campo preenchido
Na Google Play, a descrição curta faz o mesmo trabalho com oitenta caracteres, e esses são indexados pela Google. O My CUF usa-os todos, e nenhum deles é uma palavra que alguém escreva na caixa de pesquisa.
Nas duas lojas, a diferença entre um campo bem escrito e um campo vazio não custa desenvolvimento nenhum. Custa uma decisão.
O campo que ninguém vê
Quem escreve CUF na App Store recebe o Hospital da Luz em segundo lugar.
Funciona nos dois sentidos, e repete-se com as outras marcas que testámos: pesquisar "trofa" ou "lusíadas" devolve também o MY LUZ logo a seguir. Na App Store existe um campo de cem caracteres com palavras-chave que o público nunca vê, e é lá que este tipo de coisa se decide. É também o campo que ninguém audita, porque ninguém o consegue ver de fora.
Visto de fora não é possível distinguir uma palavra-chave escolhida de uma sugestão do algoritmo. O que se regista é o resultado, não a intenção.
O que mudaríamos
A versão que escreveríamos, dentro dos limites de cada campo.
Isto é uma proposta nossa sobre uma ficha que não gerimos, feita de fora e sem dados de pesquisa da conta. Serve para mostrar o raciocínio, não para dizer a ninguém como fazer o seu trabalho. Cada linha respeita o limite de caracteres da loja respetiva.
A descrição na App Store não entra nesta lista por um motivo prático: a Apple não a indexa para pesquisa. O MY LUZ escreve lá as trinta localidades onde tem unidades, de Águeda a Vila Real. É informação útil para quem já chegou à ficha e não serve para lá chegar. Na Google Play o mesmo texto conta, porque aí a descrição pesa.
A mesma marca, duas notas
4,6 no iPhone. 3,7 no Android.
As críticas que a loja escolhe mostrar primeiro são, nos dois casos, de pessoas que não conseguiram criar conta. São o texto que um potencial utilizador lê imediatamente a seguir ao botão de instalar, e nenhuma tem resposta. Responder não apaga o problema, mas muda o que a página diz sobre quem está do outro lado.
A diferença entre lojas não se explica só com a ficha. Uma parte é a app em si. Mas a classificação é o segundo elemento mais visível de uma listagem, logo a seguir ao ícone, e entra em qualquer trabalho sério de ASO.
- Não medimos instalações, receita, nem o peso que cada app tem no negócio de quem a publica. Uma ficha discreta pode ser uma decisão deliberada de quem só quer servir clientes que já tem.
- As posições na App Store vêm da API pública da Apple. Aproxima a pesquisa da loja, não a replica. Servem para ler relevância, não para afirmar a posição exata no telemóvel de alguém num dia concreto. As capturas da Google Play são a pesquisa real, tal como apareceu nesse dia.
- Quando a app de um grupo aparece na pesquisa do nome do concorrente, não é possível saber de fora se foi uma palavra-chave escolhida ou se foi a loja a sugerir apps parecidas. Registámos o que se vê e ficámos por aí.
- Não falámos com nenhuma das equipas envolvidas. Se alguma quiser corrigir ou acrescentar contexto, a página é atualizada e fica dito o que mudou.
A seguir
Se tens uma app publicada, isto leva uma tarde a verificar na tua.
Abre a tua ficha na loja e olha para o subtítulo, para os primeiros oitenta caracteres da Play e para as três críticas que aparecem primeiro. Se alguma dessas três coisas te surpreender, vale uma conversa. E se preferires que sejamos nós a olhar, a auditoria ASO faz exatamente este trabalho com acesso aos dados da tua conta, que é onde se vê o resto.