Fundador da Sixfold studio

André Oliveira

Lancei o primeiro projeto aos 16, vendi-o aos 18 e desde 2017 ponho empresas boas a ser procuradas.

André Oliveira, fundador da Sixfold studio

O percurso, ano a ano.

O contrário do sucesso, para mim, nunca foi o fracasso. É ficar morno. Esta é a história de como fui aprendendo isso, um ano de cada vez.

Dois anos perdidos, e uma promessa a mim mesmo.

Fiz o 10.º e o 11.º ano em Economia e percebi, tarde, que não era aquilo. Mudei para Multimédia na EPCI e entrei com a sensação de ter ficado dois anos para trás.

Decidi recuperá-los da única forma que conhecia: a ser o melhor aluno. Consegui. E descobri uma coisa sobre mim que nunca mais me largou: quanto mais me destacava, mais vontade tinha de me destacar. Foi também aí que apareceram os primeiros clientes, ainda como freelancer.

O e-mail que vendeu a Testa-te.

A Testa-te era uma plataforma de desafios culturais para jovens. Não tinha investidores nem equipa, e o site era martelado por mim num CMS básico, com mais vontade do que técnica.

Um dia descobri que, no Brasil, alguém com o mesmo apelido tinha lançado no mesmo mês um projeto quase igual: o Qranio, com investidores, app e uma equipa a sério. Podia ter visto ali um concorrente. Como não acredito muito em coincidências, mandei-lhes um e-mail a dizer que tinha achado piada.

Eles também acharam. Vieram a Portugal conhecer-me e compraram o projeto.

Um e-mail simples, enviado a tempo, pode valer mais do que um plano de negócio. O tamanho nunca é desculpa.

Country manager da Qranio em Portugal.

De um dia para o outro passei a gerir a operação em Portugal. Contratava jornalistas com tantos anos de experiência como eu tinha de idade, e tive de aprender depressa a ganhar o respeito de quem sabia mais do que eu.

Fizemos versões da plataforma para a PT, nas lojas MEO, e para o Benfica. Portugal chegou a ser o único país do grupo a dar lucro, e eu estava a preparar a entrada em Espanha.

Depois os outros mercados correram mal e a sede decidiu fechar tudo fora do Brasil, Portugal incluído. Dava tudo por uma empresa que não era minha, e a decisão foi tomada do outro lado do mundo.

Foi aí que percebi que queria ser eu a decidir o destino do que construo.

O ano dos palcos.

Fechado esse capítulo, o ano seguinte foi de recomeço a toda a velocidade. Ganhei um concurso de empreendedorismo que dava acesso ao Fast Track MBA da Galileu, terminei a EPCI como melhor aluno e entrei na tribeCRM como frontend developer, com pouca experiência e marcas enormes do outro lado.

E passei boa parte do ano a falar: num data center, em eventos de tecnologia, num festival e em salas de aula. Falava a outros jovens sobre empreendedorismo, como alguém que tinha começado poucos anos antes, sentado nas mesmas cadeiras.

  • U-Codebits, Data Center da Portugal Telecom, Covilhã Speaker
  • Microsoft Game Dev Camp Speaker
  • South Summit Participante
  • Greenfest Speaker
  • Ao longo do anoMini tour por escolas secundárias, a falar de empreendedorismo jovem Speaker

Banca de dia, marca à noite.

Durante o dia desenhava produto digital para a banca na ITSector, para a Caixa Geral de Depósitos e o Montepio. É um setor que não perdoa: cada ecrã tem de transmitir confiança a quem está a mexer no seu dinheiro. À noite, fazia a licenciatura em Publicidade e Marketing na ESCS.

  • ITSector
  • Caixa Geral de Depósitos
  • Banco Montepio

E nos intervalos nasceu a Mr. Sunglasses. Começou como blogue e foi ganhando pernas: uma loja online, uma revista física trimestral de 20.000 exemplares, a primeira do mundo dedicada a eyewear para o consumidor final, trabalho de agência para marcas do setor e a representação e distribuição oficial de marcas de acessórios, como a Nerdwax.

Foi a minha primeira escola de marca: perceber porque é que um produto se vende e outro, igualmente bom, fica na prateleira. Em 2016 juntei-lhe um projeto na Start Up Sintra e a AIESEC in Lisboa Católica.

Lançar-me aos lobos.

Saí do emprego sem grande rede de segurança, com algumas poupanças e bastante medo. Uma grande amiga veio trabalhar comigo e, pouco depois, emigrou. Fiquei sozinho, sem capacidade para contratar, e agarrei-me a um cliente grande que me deu estabilidade para continuar.

Foi a lição mais importante desses anos: arriscar, sim, mas de forma ponderada. Ambição com os pés no chão.

Desde aí passaram pela Sixfold studio mais de 200 empresas, de bancos e seguradoras a clínicas, gabinetes de engenharia e marcas de consumo, e trabalhei em parceria com algumas das maiores agências de publicidade do país. Pelo caminho experimentei muito com projetos próprios do estúdio, a começar pela Oculio. Nem tudo resultou, e foi assim que aprendi o que funciona.

O escritório da Sixfold studio

Ideias que nasceram de problemas reais.

A pandemia fechou salas e encheu as mesas de dúvidas. Com a Food System pusemos menus em QR code em restaurantes, numa altura em que ninguém queria pegar num menu de papel.

No mesmo ano lancei a Maria Beata, uma marca de cinzeiros portáteis inspirada numa ideia que vi na Suíça. Uma agência convidou a Maria Beata a entrar, pro bono, na sua campanha “Museu da Beata”, que ganhou o Prémio do Público em Cannes Lions 2022. A campanha é da agência; eu entrei com a marca. Foi a prova de que uma ideia pequena, no sítio certo, chega muito longe.

Em 2021 nasceu o Apoio Sénior, uma plataforma do estúdio que ajuda famílias a encontrar lares, apoio domiciliário e centros de dia em Portugal, com propostas de prestadores perto de casa. É onde pomos à prova, com o dinheiro do estúdio, o que depois levamos aos clientes: SEO, conversão e automação. Hoje chegam lá cerca de 1.200 pessoas por semana a partir do Google.

Tirar empresas do morno.

Ao fim destes anos, a conclusão repete-se: o problema raramente é a qualidade do que uma empresa faz. É não conseguir mostrar esse valor com clareza a quem decide. Vejo empresas boas a perder para concorrentes piores que simplesmente se mexeram primeiro.

É isso que me ocupa todos os dias: pôr empresas boas a borbulhar. Faço-o sobretudo com a Transformação PP, seis meses para uma marca passar de existir a ser procurada, com um método que começa sempre pelo diagnóstico.

Também aprendi a escolher bem com quem trabalho. Quando há encaixe, entro a fundo no negócio de quem trabalha comigo, e muitos desses clientes renovam ano após ano. Quando não há, digo-o logo, para que ninguém perca tempo.

Os melhores projetos começam com um sim dos dois lados.

  • Sephora
  • Staples
  • Coca-Cola
  • TAP
  • Porsche Design
  • Zurich
  • Nestlé
  • PLMJ
  • Lusíadas Saúde
  • Furla

Formação e comunidades.

EPCI
Escola Profissional de Comunicação e Imagem, Multimédia
Escola Superior de Comunicação Social
Licenciatura em Publicidade e Marketing, 2014 a 2017
Galileu
Fast Track MBA, 2014
Nova SBE
Programa de Gestão para PME, 2024 a 2025
Art Directors Club of Europe
Membro, através do Clube de Criativos de Portugal
AIESEC in Lisboa Católica
2016

Escrevo sobre posicionamento e procura nos insights do estúdio e, com mais frequência, no LinkedIn.

Se quiseres falar, quem lê o que escreves sou eu.

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